Alívio ?

O ar era leitoso, ela quase conseguia colocar ele em uma concha em suas mãos fracas.
A menina pensou em suicídio pela decima sexta vez naquele dia, o que ela iria escrever naquela carta antes do ato, a herança heroica e trágica para seus parentes tristes e inconsoláveis ?
Os confortando e deixando-os livre de cupa e sangue nas mãos, não que eles se importassem, claro.
Será que alguém se importaria ? Alguém sentiria sua falta ? E se ela nunca tivesse existido, a vida de alguém seria melhor ? Provavelmente.
Quando pensava em sua vida ela se sentia totalmente angustiada, a corroendo por dentro e a mão da tristeza esmagando seu coração, tirando todas as suas esperanças.
Querendo se livrar daqueles sentimentos olhou para o lago a quarenta metros a baixo de si, e caçou motivos para não fazer.
Mas não achou, então fechou os olhos e pulou, ela bateu na fina camada de gelo que tinha em cima do lago, a água gelada entorpeceu seu corpo e seus sentidos, e ela prendeu o ar o máximo que pode, depois seus pulmões começaram a arder em busca de ar, então ela soltou o ar e respirou, a queimação piorou, a água congelante lhe queimava os pulmões sem piedade. Ela só queria morrer logo. Então a escuridão começou a tomar de contar e roubar a luz, assim como roubava toda a sua dor de pouco a pouco, então, alívio.

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