Muros destruídos.

Ela estava com seus exércitos em pé, prontos pra ataque, seus muros e barreiras estavam mais altos e fortes do que nunca, protegendo seus sentimentos da crueldade das pessoas, protegendo ela das pessoas.
E lá estava ela, com suas ironias e seu sarcasmo, suas patadas e tiradas, ninguém se metia com ela, ela sorria orgulhosa disso, era perigosa. Até ele chegar.
Seu sorriso irônico sumiu, sendo engolido a seco, seu olhar maldoso foi substituído por medo, a menina má entrou em pane. Sua cura tinha chegado, aqueles olhos que transbordavam bondade, aquele sorriso psicopático falso, ele se sentou do seu lado e ela fechou a cara, beliscando suas batatas fritas, ele sorrio pra ela, ela arregalou os olhos.
Depois de palavras trocadas e meses de amizade, seu exército estava no chão, os muros destruídos e em chamas, ela estava desprotegida e isso a assustava, ela não conseguia mentir pra ele, enganar ele, nem negar que ele mexia com ela, que ele era bom pra ela, que ele destruía suas barreiras e entrava em seu coração.
Ele sabia e se aproveitava disso, se aproveitava pra afastar a menina má de perto da porta pro seu coração e pra sua bondade.
Quando ela estava com ele sua parte boa, que estava trancafiada atrás dos muros, emergia, se tornando um hospedeiro rotineiro, ela gostava de jogar a mascara fora, de sentir como antes, ser ela mesma, ele gostava de ver sua forma verdadeira, sua bondade, o maravilhoso brilho de verdade nos olhos dela, ver seus sentimentos tão a mostra pra ele e se sentia orgulhoso de saber que ele tinha transformado a menina má, tinha vencido seus exércitos e derrubado seus muros.
Ele a olhou e se aproximou, colando seus lábios nos dela, sentindo o calor maravilhoso de seus lábios com gosto de morango, tão suave, tão doce.
Ela se sentia explodindo, sua maldade pulsando com força em suas veias, lutando contra a cura que o universo tinha a oferecido, o que tinha restado de sua barreira foi devastada e tinha virado pó, seu coração estava quente e pulsando com força, se livrando da prisão de gelo.
Ela estava viva, estava curada, o calor do sol nascente invadindo sua pele...

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