Frio e sol

O frio arrebatava o resto de calor que sobrará em mim. Ventava. Minhas mãos enfiadas nos bolsos do casaco estavam fechadas em pequenos e delicados punhos buscando algum calor e refugio.
Meu nariz estava dormente, o sol inofensivo e brilhante da manhã apesar de estar banhando aonde estávamos não estava adiantando, o calor não era suficiente.
Pareados, as risadas e vozes graves preenchiam o ar.
Todos buscando algum calor naquela pequena parte ensolarada do lugar, até você.
Eu estava escorada na parede, pareada com você, conversávamos.
Desde de a última briga você tem sido um bom rapaz, dentro dos limites, me tratando bem.
Eu gostava, afinal, você era divertido e quando queria conseguia ser uma companhia boa e desejada, sempre me fazendo rir.
Os outros meninos faziam comentários, aos quais sempre participávamos, todos sobre como estava frio depois de meses em um calor escaldante e como o sol estava sendo inútil naquele momento.
Nossos rostos estavam quentes, mais os corpos e mãos estavam frias.
Encolhidos e rentes a parede, as mãos geladas mas com as bochechas quentes.
Nossos braços se encostaram, depois nossos quadris e quando vimos estávamos grudados lateralmente um no outro.
Não vou negar, eu gostei. 
Principalmente a parte em que eu brinquei falando em te abraçar por trás e você foi e colou suas costas em meu peito e sua bunda em minha barriga.
Afinal eu sou muito baixa comparada a você, eles explodiram em gargalhadas, até eu, você foi muito atrevido, sempre era.
Minhas mãos pequenas saíram de seu esconderijo e foram parar em sua cintura.
Suas mãos quentes e atrevidas estavam passeando pelas laterais de minhas coxas cobertas pela calça jeans. 
Enquanto você me empurrava suavemente na parede com as costas largas encobertas pelo seu casaco listrado. Suas mãos tentavam chegar a minha bunda eu ria e automaticamente as minhas mãos pararam em cima das suas. 
Agarrando seus dedos macios e parando suas mãos espertinhas.
Você riu e desgrudou de mim se postando do meu lado novamente, maneei a cabeça ainda rindo. 
As conversas continuaram, todos acostumados com seu jeito atrevido, ninguém mais se impressionava com você.
Eu estava encolhida, as mangas do casaco cobrindo a metade das mãos que estavam pressionadas em meu rosto quente.
Você estava esfregando os braços, inquieto, sofrendo com o frio.
Cada um tentando se esquentar de sua maneira.
Eu grunhi pressionando mais as mãos em meu rosto e tremendo levemente.
Você resmungou algo sobre calor humano e pediu espaço entre mim e a parede, desconfiadamente cedi.
Você se acomodou lá, se escorando, me puxou pelos ombros, me fazendo apoiar as costas em você. Colando nossos corpos, seus braços rodearam meus braços e suas mãos passearam até as minhas, frias, você entrelaçou nossos dedos e a diferença de temperatura era estranha.
Sorri e abaixei a cabeça, tentando esconder o rosto quente do sol.
Senti você apoiando a cabeça no meio do meu cabelo, você parecia confortável, quase a vontade, e eu odiei gostar de estar ali com você. 
De sentir seu calor, de sentir seu corpo, como eu odiei.
Precisava me lembrar da dor, precisava me esforçar pra não cometer o mesmo erro duas vezes. 
Acredite, eu estava tentando, lutando com garras e dentes. 
Você não valia a pena, não valeu uma vez e não valeria de novo, não iria perder meu tempo com você novamente.
E quando todos permaneceram frios, nos éramos nosso próprio sol.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Alienação

Caos